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Osirion - O misterioso templo do antigo Egito

  • Foto do escritor: Patricia Viciana
    Patricia Viciana
  • há 8 horas
  • 9 min de leitura

Se vc ama a história egípicia, esse templo é imperdível !!!

O templo de Osirion ou Osireion é um dos templos mais misteriosos e antigos do Egito.

Durante séculos, Abidous teve um significado religioso especial como local de sepultamento de Osíris, o Deus do submundo, que acreditava-se ter sido enterrado ali após seu assassinato e esquartejamento por seu irmão Seth.

Nada ali parece casual: nem o alinhamento perfeito com o templo acima, nem a água que permanece imóvel, sempre no mesmo nível, como se obedecesse a regras próprias.

Há lugares que contam histórias. Outros fazem perguntas.

Em Abidous, o Osí­rion faz ambas as coisas — em silêncio — convida o viajante a refletir.





No geral, egiptólogos e arqueólogos datam o Osirion da era do faraó Seti I, e concordam que o Osirion servia como um cenotáfio, ou seja, um túmulo simbólico para o deus Osíris ou para o rei Seti I. Isso se alinha com o significado religioso de Abydos, considerado o local onde se dizia que Osíris estava enterrado, ligando o mundo dos vivos à vida após a morte.

Muitos pesquisadores acreditam que se trata de um templo pré-dinástico. Famoso pelo símbolo da “Flor da Vida” (Geometria Sagrada) e pelas gigantescas colunas de granito rosa, foi construído com pedras maciças, e seu estilo arquitetônico difere dos projetos típicos do Novo Império. A câmara subterrânea, tem uma grande "piscina rebaixada", o que aumenta o mistério do local. Na mitologia egípcia, a água frequentemente simboliza a criação, o renascimento e a purificação. Este poderia ter sido um local para rituais relacionados a esses temas, possivelmente ligados à cheia anual do Nilo ou à ressurreição de Osíris.

O acesso ao complexo é restrito, exigindo permissão especial que pode ser cara. Apesar do acesso limitado, os imponentes blocos gigantes da estrutura ainda são visíveis.



Porta falsa seladas em pedra. Seriam elas limiares para a vida após a morte, portais para outros reinos, mortal e o divino?  A verdadeira porta não é física, mas sim, espiritual.
Porta falsa seladas em pedra. Seriam elas limiares para a vida após a morte, portais para outros reinos, mortal e o divino? A verdadeira porta não é física, mas sim, espiritual.





LOCALIZAÇÃO: ÁFRICA - EGITO

Localizado em Abidous, no Egito, aos fundos do templo de Seti I. Fica há 190km de Luxor.

Abidous é um dos sítios arqueológicos mais antigos e importantes do Egito Antigo, ocupado desde pelo menos 3300 a.C. Localizada a 11 km da margem oeste do Nilo, no Alto Egito, a cidade sagrada tem vista para um vale desértico que acreditava-se oferecer passagem para o reino dos mortos. Foi o cemitério real dos primeiros reis do Egito e, mais tarde, serviu como centro de culto a Osíris, deus do submundo.






Sala dedicada a Osíris - Porta aberta - Caminho para a eternidade
Sala dedicada a Osíris - Porta aberta - Caminho para a eternidade





HISTÓRIA

Descoberto entre 1902 e 1903 pelos arqueólogos Flinders Petrie e Margaret Murray, o Osí­rion tem um alinhamento preciso com o templo de Seti I, sugerindo um planejamento que exigiria conhecimento prévio da geologia subterrânea. Se Seti I construiu, restaurou ou apenas incorporou algo preexistente, permanece essa questão em aberto. O que é certo é que o Osí­rion não se comporta como um monumento típico do Novo Império.

Quando Seti I começou a procurar um local para seu templo, ele foi levado a um local ao norte de Luxor (antiga Tebas), na curva do rio Nilo. Chegando lá, ele começou a construir a fundação do seu templo. Mas o que ele descobriu foi o Osirion, ou o antigo Templo de Osíris. Se ele realmente sabia que o Osirion estava lá, talvez nunca saberemos. O Templo de Seti I é o único no Egito que faz uma curva em ‘L’, apresentando uma arquitetura diferenciada.

O acesso ao Osí­rion se dá por um corredor decorado com hieróglifos que, de forma abrupta, cessam na entrada do monumento. A partir desse ponto, o visitante é recebido por blocos maciços de pedra sem inscrições, criando uma transição silenciosa que parece marcar a passagem do mundo simbólico para algo mais espiritual.

Arquitetonicamente, o Osí­rion combina arenito escavado com enormes blocos de granito vermelho extraídos em Assuã, há mais de mil quilômetros de distância. O encaixe preciso dessas pedras, raro em outros sítios egípcios, reforça a impressão de que cada elemento foi cuidadosamente pensado.

No centro da estrutura encontra-se um salão rodeado por água permanente.

Essa água nunca ultrapassa, nem abandona seu nível, apesar das tentativas modernas de drenagem. Análises indicam que se trata de uma combinação de água antiga do Nilo, com águas subterrâneas profundas (lençol freático). Tudo sugere que essa condição não seja acidental, mas parte do conceito original do monumento, talvez relacionada ao simbolismo de Osíris, deus da morte, regeneração e renascimento.

No centro do salão principal, uma plataforma de arenito sustenta 10 pilares de granito vermelho, que outrora suportaram uma cobertura maciça. Ao redor, as câmaras estão decoradas com cenas da literatura funerária e da cosmogonia egípcia, que evocam temas recorrentes de passagem, transformação e renovação.

Acima do Osí­rion, no Templo de Seti I, relevos curiosos esculpidos em uma viga próxima ao teto continuam a gerar debates....Será um "helicóptero", "submarino", "avião" e "caça furtivo" ???? O que é isso ?

Geralmente explicado como um palimpsesto (pergaminho ou papiro),onde o gesso e os hieróglifos sofreram erosão, criando uma forma composta e aleatória. No entanto, a precisão das linhas e a coerência das formas parecem tudo menos aleatórias, permanecendo como um lembrete de que nem todas as mensagens do passado chegam até nós de forma clara.


"Helicóptero" , "submarino", "avião" ??? O que vc enxerga nessa imagem ?
"Helicóptero" , "submarino", "avião" ??? O que vc enxerga nessa imagem ?




Entre os pilares do Osí­rion, quase despercebido, encontra-se o símbolo da "Flor da Vida", gravada no granito com precisão surpreendente. Esse padrão geométrico é frequentemente associado a idéia de criação e interconexão, uma presença discreta, mas profundamente sugestiva, que parece ter sido deixado ali não para ser explicado, mas reconhecido.

Os desenhos da "Flor da Vida" estão quase apagados. Atualmente, acredita-se que esse símbolo foi inscrito na pedra com tinta ocre vermelha, sendo datada do 1º século d.c.

A "Flor da Vida", é uma geometria sagrada, composta por 7 círculos simétricos, sendo 1 no centro e 6 em torno deste. E dentro de suas configurações encontram-se diversas representações religiosas, esotéricas, cabalistas, etc. São estruturas conhecidas como: a Semente da vida, o Ovo da vida, o Fruto da vida e a Árvore da vida. Cabalistas do século 13, na França realizaram uma interpretação geométrica do símbolo e conseguiram organizar o alfabeto hebraico em determinada ordem, usando o desenho. Seu conjunto de estruturas fez com que Leonardo Da Vinci, em pleno período da Renascença, século 15, realizasse vários estudos matemáticos que resultou em muitas de suas representações, entre elas o famoso ‘Homem Vitruviano’.














Osíris + Hórus + Seti I recebendo oferenda dos deuses
Osíris + Hórus + Seti I recebendo oferenda dos deuses



O Osí­rion não oferece respostas definitivas. Ele convida à contemplação. Em Abidous, história e mistério caminham lado a lado.









O objetivo de Seti I no templo de Abidous era homenagear todos os grandes deuses da religião egípcia e os faraós que os precederam, esquecendo deliberadamente os monarcas considerados usurpadores ou heréticos, como Hatshepsut e Akehnaton, bem como o deus Aton(disco solar), que era injuriado. E isso ficou claro em 2 elementos, absolutamente fundamentais para a visita ao templo:


  • As 7 capelas consagradas aos seus deuses correspondentes:

    -Ptah - é um dos deuses mais poderosos da mitologia egípcia, cultuado como o criador do universo, dos deuses e artesão supremo em Mênfis. Representado como um homem mumificado segurando um cetro com símbolos de vida (ankh), poder (was) e estabilidade (djed), ele é o patrono dos arquitetos, pedreiros e artistas.

    -Ra-Horakhty - divindade do antigo Egito que representa a fusão de Rá(deus-sol), com Hórus, simbolizando o sol nascendo e se pondo, controlando o céu, a terra e o submundo, sendo um deus de esperança, renascimento e soberania, frequentemente descrito com cabeça de falcão e disco solar. Essa união reforçava o poder do faraó como "filho de Rá" e o senhor dos dois reinos (céu e terra).

    -Amon-Ra - "Rei dos Deuses" no Antigo Egito, representa a fusão de Amon (deus oculto, ar, fertilidade de Tebas) e Rá (deus sol de Heliópolis). Tornou-se a divindade suprema durante o Império Novo, cultuado como criador, protetor dos faraós e do povo, frequentemente retratado como homem de pele vermelha/azul com cocar de duas penas.

    -Osíris- cultuado como o deus dos mortos, da ressurreição e da fertilidade, além de ter sido considerado o primeiro faraó. Filho de Geb e Nut, marido de Ísis e pai de Hórus, ele simboliza o ciclo de vida, morte e renascimento, governando o submundo e julgando as almas. É a única das 7 capelas que não tem uma porta falsa, selada com pedras, ou seja, oferece passagem. Seriam elas limiares para a vida após a morte, portais para outros reinos, mortal e o divino? A verdadeira porta não é física, mas sim, espiritual.

    -Ísis- reverenciada como a "Grande Senhora da Magia", deusa da fertilidade, maternidade, cura e protetora dos mortos e do lar. Esposa fiel de Osíris e mãe de Hórus, o protetor dos faraós, ela personificava o ideal materno e o poder de ressurreição, influenciando o mundo greco-romano.

    -Hórus -é o deus solar dos céus, sua imagem é associada ao firmamento, e representa a luz, o poder e a realeza.O deus Hórus possui corpo de homem e cabeça de falcão. No entanto, em algumas representações ele tem asas de gavião e, ao invés de uma coroa em forma cônica, em sua cabeça há um disco solar. Na mão esquerda, ele carrega uma chave que simboliza a vida e a morte.

- Seti I - que é deificado, numa tradição também seguida por Ramsés II noutros templos, como os de Abu Simbel;


  • A Lista Real de Abidous, que se encontra na Sala dos Antepassados. É uma das melhores fontes históricas para traçar a cronologia dos faraós. Começa com Menes, fundador mítico do Antigo Egipto e frequentemente assimilado a Narmer, e termina com o próprio Seti I. E, é claro queHatshepsut e Akehnaton não estão incluídos.










Capela dedicada a Osíris, sem a porta falsa, permitindo a passagem para o submundo, decorada com cenas da literatura funerária. No teto arqueado, surgem  cenas da cosmogonia bastante danificadas, representando a deusa do céu Nut, o deus da terra Geb e Shu, o deus da atmosfera.
Capela dedicada a Osíris, sem a porta falsa, permitindo a passagem para o submundo, decorada com cenas da literatura funerária. No teto arqueado, surgem cenas da cosmogonia bastante danificadas, representando a deusa do céu Nut, o deus da terra Geb e Shu, o deus da atmosfera.




Porque esse templo é tão diferente ?

Para realmente compreender a genialidade de Abidous, é preciso entender como foi construído....

Todo o complexo está alicerçado numa única e enorme plataforma geológica. O Templo de Seti I e o Osirion estão perfeitamente alinhados e esculpidos nessa mesma rocha viva. O Templo de Seti está acima do nível do solo e o teto do Osirion estaria ao nível do solo!

A obra é composta por 2 partes: uma escavada na terra e a outra construída com alvenaria aparentemente impossível, demonstrando um conhecimento avançado de geologia, engenharia e design. Os antigos construtores encontraram uma enorme laje de arenito e esculpiram o imenso pátio aberto do Osirion diretamente nela, como se estivessem escavando a piscina em uma rocha sólida. Essa fundação rebaixada ancora toda a estrutura.

Em seguida, dentro dessa estrutura esculpida, construíram o interior com pedras ,ou melhor, blocos de granito vermelho, com várias toneladas, encaixados com uma precisão semelhante à de um quebra-cabeça.






"Elevação do Djed" - estabilidade, ressurreição e a eterna renovação da vida. Curiosamente, o acesso a ela se dá apenas por uma das 7 capelas, representando a própria essência de Osíris. É o clímax cosmológico de toda a jornada no templo.





COMO CHEGAR ?

O aeroporto de Sohag, é o mais próximo. Mas,o aeroporto de Luxor, tem uma gama maior de vôos. De Luxor até Abidous por terra são 190 km.


Fachada do Templo de Abydos ou Osirion
Fachada do Templo de Abidous ou Osírion





**FOFOCA DO ANTIGO EGITO (edição reencarnação)**


Dorothy Eady, uma inglesa nascida em 1904, afirmava com toda certeza, que em outra vida, foi sacerdotisa, amante secreta e grande paixão do faraó Seti I.

A confusão começou cedo. Aos 3 anos, Dorothy caiu da escada, foi dada como morta… e voltou horas depois como se tivesse apenas cochilado. A partir daí, passou a sonhar com templos gigantes e acordar chorando, dizendo que queria “voltar para casa”. 👀

No Museu Britânico, o clima ficou estranho: ela correu para a ala egípcia, ajoelhou, beijou os pés das estátuas e declarou que aquele era o seu povo. E os pais dessa criança ??? ....Em choque!!!!

Com o passar do tempo, ela passou a frequentar assiduamente o museu e se tornou aprendiz do professor Ernest Wallis Budge, que a ensinou a ler hieróglifos. A partir dessa época ela começou a aprofundar seus estudos sobre o Antigo Egito, e a frequentar grupos de reencarnação, mas nenhum a satisfez.

Por volta de 1930, ela conheceu Abdel Maguib, com quem se casou, e mudou para o Egito onde teve o seu único filho, chamado Seti, e lhe rendeu o apelido Omm Seti, que significa "Mãe de Seti", seguindo um antigo costume egípcio de não chamar as mulheres pelo nome.

Segundo Dorothy, ela foi Bentreshyt, uma jovem pobre enviada ao templo que acabou se envolvendo com o faraó. Resultado? Gravidez proibida, escândalo religioso, suicídio trágico e uma promessa eterna de amor de Seti I.

O plot twist? Fora do misticismo, Dorothy era levada a sério: viveu em Abidous, trabalhou quase 20 anos com arqueólogos renomados e foi a primeira mulher do Departamento de Antiguidades do Egito.

Reencarnação ou não… acredite quem quiser ! 🐍✨



Dorothy Eady no documentário Em Busca da Eternidade da National Geographic - Divulgação



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