DENDERA - O templo do mapa do céu no Egito
- Patricia Viciana

- há 1 hora
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Enquanto o Osírion em Abidous nos conecta ao submundo, Dendera é uma ponte para as estrelas !!!
Não se trata apenas de um templo dedicado a deusa Hátor, deusa da alegria, do amor e da música. É um observatório preciso, construído em pedra, e um registro permanente do conhecimento celestial ancestral.
O teto de Dendera revela seu verdadeiro propósito: um mapa do céu.

Em Dendera, você encontra a interseção entre a terra e o céu, o humano e o divino, o conhecido e o eterno mistério. Você olha para o teto azul, sente a acústica perfeita prender sua respiração e percebe que não é apenas um visitante em um templo....


LOCALIZAÇÃO :
O Templo de Dendera fica a cerca de 96 quilômetros ao norte de Luxor (1h30), próximo à cidade de Qena. Sua visita pode ser facilmente combinada com a de Abidous, a alguns quilômetros ao norte.
A melhor opção para chegar a Dendera é de táxi ou de grupos organizados saindo de Luxor.


HISTÓRIA:
O Templo de Dendera está em excelente estado de conservação. É o único templo egípcio que mantém suas cores originais, visto que ficou coberto pelas areias do deserto durante muitos anos.
Em 1798, Napoleão e suas tropas ocuparam o Egito. Eles acamparam na área onde o templo está localizado. Um de seus soldados deixou uma caixa de munição no chão, e ela desabou. Quando foram buscá-la, encontraram o templo intacto, com suas cores originais.
O Templo de Dendera foi construído na época greco-romana, entre 30 a.C. e 14 d.C., sobre um antigo templo.
Um dos seus principais idealizadores foram provavelmente Ptolomeu XII e Cleópatra VII. De fato, há referências a essa famosa rainha da dinastia ptolomaica, bem como a seu filho Cesarião, cujo pai era Júlio César. Tibério, outro idealizador do templo, também aparece em atitude de oferenda na decoração interior.
O templo é dedicado à deusa Hathor ou Hátor, uma das mais importantes deusas do antigo Egito. Caracterizada como a deusa do céu, Hathor era símbolo de mãe para os faraós e uma das divindades que usavam o Olho de Rá. A deusa também representava dança, música, amor, alegria, maternidade e sexualidade, além disso Hathor auxiliava na passagem das almas, levando-as para a outra vida.
A localização do templo de Dendera está ligada à posição das estrelas.
O eixo do templo estava orientado para o norte. O local onde aparecia a estrela Alpha Draconis, que hoje conhecemos como a Estrela Polar, representa o princípio da força materna, ou seja, Hátor.
Ali fica a porta principal, que servia de referência para registrar os movimentos dessa estrela. Em seguida, colocaram pedras nos 4 cantos e no perímetro do templo, que possuía um muro externo de 10 metros de altura.
A 2º porta do templo está orientada para o local onde a estrela Sirius, símbolo de Ísis, ascendeu. Sirius, após permanecer oculta por 120 dias, reapareceu em 21 de junho, marcando o início do solstício de verão. Seu aparecimento coincidiu com os 40 dias de cheia do Nilo.
Quando Sirius desapareceu, o Nilo voltou ao seu nível normal. Outro edifício de Dendera seria construído ali, o Iseo, templo dedicado ao nascimento de Ísis, que é o que se encontra em pior estado de conservação. No capitel das colunas está o deus Bes, protetor das mulheres em trabalho de parto, que sempre acompanha Hátor.
Em frente ao templo principal, encontra-se também uma casa de nascimento romana da época de Augusto, dedicada a Harsomtus, filho de Hátor e Hórus. Ao lado, está uma igreja copta do século V d.C. e, mais adiante, outro mamisi da época de Nectaebo I.
Dendera, além de ser um local sagrado de peregrinação em honra à deusa Hathor, também era um lugar onde os doentes buscavam cura. O templo possuía uma parte destinada a hospital/sanatório. Nas ruínas, ainda é possível ver a área onde os enfermos se hospedavam, bem como os restos de uma piscina onde os peregrinos costumavam se banhar, pois suas águas eram consideradas sagradas.
Ao passar pelo portão norte, construído pelos imperadores Domiciano e Trajano no século I d.C., chega-se a um pátio que abriga o templo principal de Hátor.

O Zodíaco de Dendera é um desenho encontrado no Templo de Hathor que representa vários fatos astronômicos da época antiga, como eclipse solar (7 de março de 51 a.C) e o eclipse lunar (25 de setembro de 52 a.C).
O zodíaco é um mapa das estrelas que mostra as 12 constelações e os planetas, no Egito Antigo esta representação circular do zodíaco é única. Os signos são colocados de formas diferentes: Touro, Capricórnio, Áries e Escorpião tem os desenhos em ícones greco-romanos, já os outros signos são representados de acordo com a simbologia egípcia como é o caso de Aquário que é ilustrado como o deus Hapi com jarros de água.
A abóbada celeste é sustentada por 4 mulheres auxiliadas por espíritos com cabeça de vaca.
Para os egípcios, cada signo correspondia a uma estação do ano, aos 360 dias do ano egípcio. Naturalmente, a estrela Sirius também aparece.

Este complexo mapa circular mapeia o céu do norte, representando constelações que ainda reconhecemos ao lado dos antigos decanatos egípcios — marcando não apenas o tempo, mas a jornada eterna e cíclica da alma pelos céus.
Mas a verdade cósmica também está enterrada. Abaixo dos seus pés, em uma rede de 12 criptas proibidas, os sacerdotes realizavam os rituais que animavam o poder acima. Na única cripta em que podemos entrar, as paredes pulsam com imagens estranhas e brilhantes.


Esse relevo enigmático continua a suscitar debates e admiração.
Seria uma representação simbólica da coluna djed e do nascimento de uma serpente de um lótus, simbolizando a criação cósmica? Um diagrama de um componente elétrico? Ou uma tecnologia perdida de iluminação espiritual?
Duas figuras seguram um objeto semelhante a uma lâmpada, parecendo até que se trata de uma grande bobina elétrica.
Por isso, muitos especulam que os egípcios já conheciam a eletricidade. Claro que essa teoria foi rejeitada pelos egiptólogos, que consideram que esses hieróglifos são uma representação mitológica egípcia de uma coluna djed e flores de lótus, que representam o Alto Egito, das quais emergem serpentes representando Sema-tauy, um símbolo unificador do Alto e do Baixo Egito, tudo sustentado por pilares tingidos, que por sua vez simbolizam a estabilidade do reino.
No silêncio da cripta, a escultura convida não a uma conclusão, mas a uma contemplação mais profunda da extraordinária linguagem simbólica da mente egípcia antiga.

Uma trindade de transformação. Escondidas atrás de um Hórus protetor, essas 3 faces da deusa Hátor não são uma repetição, mas uma progressão. Cada variação sutil no estilo de sua peruca e coroa sugere um aspecto ou estágio diferente de seu poder — talvez a deusa como donzela, mãe e sábia; ou como a vaca celestial da criação, a deusa terrena da alegria e a guia do submundo. Em um templo de ordem cósmica, isso é uma constante evolução da deusa.
A acústica do templo é uma maravilha da genialidade arquitetônica. Um sussurro contra uma parede pode ser ouvido claramente do outro lado do salão.

Esta parede é a representação das 23 coroas do Egito. Muito mais do que um registro político, é uma afirmação de que toda a autoridade terrena deriva sua legitimidade de ordem divina, e cósmica
A escada em forma de caracol, simboliza a escadaria da luz, revelando que sua jornada por esses templos não se dá apenas através da história, mas também através do cosmos. A outra escada é reta e é a utilizada para subir até a estátua de Hátor, no telhado, durante o solstício de verão. Nas paredes, você verá em relevo a figura dos sacerdotes que levam oferendas à deusa.
No telhado do templo, você encontrará 2 capelas: a de Osíris e outra onde foi encontrado o Zodíaco de Dendera. Do lado de fora do templo, na parede externa sul, você verá a única e última representação da faraó mais famosa, Cleópatra VII, e de seu filho Cesarião, fazendo oferendas a Hátor.

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