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Belfast: a cidade onde muros dividem ruas, histórias e corações

  • Foto do escritor: Patricia Viciana
    Patricia Viciana
  • há 5 minutos
  • 6 min de leitura

Alguns destinos encantam pelas paisagens, monumentos, cultura ou até pela gastronomia. Belfast conquista pela sua história.

Caminhar por suas ruas é perceber que o passado ainda está presente. Não apenas nos livros ou museus, mas nos enormes muros de concreto, nos impressionantes murais coloridos e no olhar de quem vive ali.

É impossível visitar Belfast sem refletir sobre um dos conflitos mais marcantes da história recente da Europa. É uma experiência intensa, que vai muito além do turismo tradicional e ajuda a compreender como um passado de conflitos moldou a cidade que vemos hoje: entre muros, memórias e a esperança de paz.





LOCALIZAÇÃO: EUROPA


A Irlanda é uma ilha dividida entre 2 países.

Ao sul, está a República da Irlanda, uma nação independente, situada na Grã - Bretanha, de maioria nacionalistas/católicos, cuja vibrante capital é Dublin. Utilizam o Euro como moeda local.

Ao norte, fica a Irlanda do Norte, integrante do Reino Unido, assim como a Escócia, a Inglaterra e o País de Gales e vive sob o comando do Rei Charles III. Belfast é a capital. A população na Irlanda do Norte é predominantemente unionistas/protestantes. Usam como moeda local a Libra Esterlina.

O país tem pouco mais de 13,8 mil km² , e pode ser atravessado em cerca de 6 horas.


Grã - Bretanha, não é um País !!! É a maior ilha do arquipélago britânico, separada da parte principal da Europa pelo Canal da Mancha, e abriga 3 nações : Inglaterra, Escócia e País de Gales.


Reino Unido é um estado soberano, cujo nome oficial é Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte, composto por 4 nações : Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.


Inglaterra, sua capital é Londres.

A Escócia, tem Edimburgo como capital.

O País de Gales, tem Cardiff como sua capital.

A República da Irlanda, Dublin é a capital;

Já a Irlanda do Norte, tem Belfast como capital, com sua arquitetura vitoriana os cenários de Games of Thrones, a Calçada do Gigante, museu do Titanic ....



Falls Road
Falls Road



HISTÓRIA

Antes de explorar a cidade, vale a pena entender o contexto.

A Irlanda é uma ilha dividida entre 2 países:

  • Ao sul - República da Irlanda (independente), de maioria católica, que lutou pelo fim do domínio britânico;

  • Ao norte - Irlanda do Norte ( integrante do Reino Unido), população predominantemente protestante.

Essa disputa resultou em décadas de violência. A Guerra Civil, conhecida como The Troubles, marcou a separação das Irlandas, gerando profundas divisões religiosas e culturais.

A partir de 1960, surgiu o IRA (Exército Republicano Irlandês), responsável por atentados que deixaram milhares de vítimas e transformaram Belfast em símbolo de um conflito que parecia não ter fim.

A esperança renasceu em 1998, com o histórico Acordo de Belfast, também conhecido como Acordo da Sexta-Feira Santa, que estabeleceu as bases para um governo de poder partilhado entre católicos e protestantes, reduzindo drasticamente a violência e melhorando a convivência entre as 2 comunidades. Em 2002, o desarmamento do IRA marcou outro importante passo rumo à paz.

Mas a paz, aqui, ainda é um processo em construção.


Shainkill Road
Shainkill Road

A melhor forma de compreender essa realidade é embarcar em um dos ônibus turísticos que percorrem a cidade. O bilhete costuma valer por 48 horas, embora 1 dia seja suficiente para conhecer os principais pontos. Ou, se quiser pegar um táxi, em frente a área dos muros e fazer um tour guiado por pessoas que participaram desse momento. Não é aconselhável ir sozinho.


Das bandeiras do Reino Unido nos bairros protestantes, passando pelas cancelas fechadas que continuam a separar os bairros católicos dos protestantes, ainda hoje acontecem ataques esporádicos (com pedras, guarda-chuva,etc...)

Existem portões que dividem católicos e protestantes, e a partir das 22h, é fechado e trancado (se alguém passar de um lado a outro, assume o próprio risco), e só voltam a abrir no dia seguinte.

Muito mais do que um passeio, é uma verdadeira aula de história ao ar livre.

A área do muro é conhecida como linha da paz. O momento mais marcante acontece quando o ônibus segue em direção ao oeste de Belfast, passando pela Shankill Road, tradicional bairro protestante, e pela Falls Road, reduto católico.


De repente, a paisagem muda.


Muros grafitados, de até 8 metros de altura, cercados por arame farpado, dividem bairros que ficam a poucos metros de distância, mas pertencem a mundos completamente diferentes. O silêncio parece mais pesado. Há uma sensação difícil de explicar, como se as memórias daquele período ainda estivessem presentes em cada esquina.

Essas barreiras ficaram conhecidas como Peace Walls — os Muros da Paz.




Táxis que fazem o tour guiado; Atrás desse enorme muro está um dos bairros protestante.
Táxis que fazem o tour guiado; Atrás desse enorme muro está um dos bairros protestante.

Portões e muros
Portões e muros


Embora simbolizem a tentativa de evitar novos confrontos, continuam separando comunidades até hoje. Seus portões, que permitem a passagem entre os bairros, ainda são fechados durante a noite em alguns trechos, lembrando que a confiança leva muito mais tempo para ser reconstruída do que qualquer muro para ser erguido.

A divisão vai além das ruas. Durante muitos anos, escolas, hospitais e até cemitérios refletiram essa separação entre católicos e protestantes. Mesmo atualmente, a maior parte da população continua vivendo em bairros ligados à sua própria comunidade, enquanto o centro de Belfast representa um espaço mais integrado e acolhedor.

Os muros também se transformaram em enormes telas de arte urbana.


Barreiras
Barreiras

Cada mural retrata esse período conturbado da história.

No lado protestante, aparecem homenagens à Família Real Britânica e símbolos do Reino Unido. No lado católico, retratos de integrantes do movimento republicano, como Bobby Sands (que morreu durante uma greve de fome em 1981) e se tornou um símbolo da causa nacionalista.

É impossível não parar diante dessas pinturas. Elas emocionam, provocam reflexões e mostram como a arte também pode preservar a memória de um povo.

Embora Belfast tenha se reinventado nas últimas décadas, as diferenças políticas e culturais ainda aparecem no cotidiano. Discussões sobre identidade, bandeiras e o futuro da Irlanda do Norte continuam despertando debates e, ocasionalmente, manifestações. Para quem visita a cidade, porém, o que fica é a sensação de estar diante de um lugar que escolheu transformar suas cicatrizes em aprendizado.


Bairro protestante
Bairro protestante




Visitar Belfast é compreender que a história não está apenas nos museus, mas nas ruas, nos murais, nos portões e nas pessoas. É um destino que emociona justamente por mostrar como uma sociedade pode carregar as marcas de um passado difícil enquanto segue construindo, dia após dia, um futuro mais pacífico.

Belfast talvez não seja o destino mais bonito da Irlanda, mas certamente está entre os mais marcantes. É uma cidade que nos faz refletir sobre intolerância, identidade e reconciliação — e prova que viajar também é uma forma de compreender melhor o mundo.



DICAS PARA APROVEITAR BELFAST

Reserve 2 dias inteiros para conhecer a cidade com tranquilidade.

  • Faça o passeio de ônibus turístico logo no 1º dia, isso irá facilitar os deslocamentos, e ajudará a compreender a complexa história local.Visite os bairros divididos pelos Muros da Paz durante o dia, e aproveite as explicações dos guias locais, dessa forma, sua experiência ganhará muito mais significado ;

  • Visite o Titanic Belfast, local onde foi construído e projetado o famoso navio;

  • Prison Crumlin Road, é uma prisão do período vitoriano;

  • Grand Opera House - um dos teatros onde Charles Chaplin se apresentou;

  • St. George’s Market - é o último mercado coberto vitoriano ainda existente em Belfast. Localiza-se na May Street, próximo ao Rio Lagan e ao Waterfront Hall;

  • Belfast Castle - estrutura vitoriana construída entre 1867 e 1870 nas encostas da montanha Cave Hill , é um edifício tombado como Patrimônio Histórico. A entrada principal para o Castelo fica atualmente onde o Parque Innisfayle encontra o Parque Downview West, próximo à Antrim Road, oferecendo uma vista maravilhosa de Belfast;

  • Caminhe pelo charmoso Cathedral Quarter e termine o dia em um pub, provando a cerveja Guiness, com música irlandesa ao vivo;

  • A Irlanda do Norte foi escolhida para ser o núcleo de Game of Thrones, não só pela existência de muitos castelos na região, mas também pelo fato de que chove mais de 200 dias ao ano. E quando não chove, a chance do tempo estar nublado é grande. Sem contar o frio que faz na região.



Albert Memorial Clock ou Torre Inclinada de Belfast - torre de relógio localizada na Queen's Square. Possui 34m de altura, e devido ao afundamento do solo onde foi construída, está inclinando, ganhando mais um apelido : Belfast Leaning Tower.
Albert Memorial Clock ou Torre Inclinada de Belfast - torre de relógio localizada na Queen's Square. Possui 34m de altura, e devido ao afundamento do solo onde foi construída, está inclinando, ganhando mais um apelido : Belfast Leaning Tower.




Dark Hedges
Dark Hedges ou Bosque dos Sussurros


O The Dark Hedges, ou Bosque dos Sussurros está a menos de 1h de Belfast, localiza-se entre as cidades de Ballycastle e Ballymoney e, talvez seja a mais bela locação dentro do roteiro de Game of Thrones na Irlanda do Norte. É um caminho sombrio, em forma de túnel, cercado por árvores do século 18, que nos leva a mansão Gracehill House.

O histórico pátio da fazenda do Castelo Ward serviu de cenário para Winterfell durante grande parte da 1º temporada.

Cenas importantes, incluindo o acampamento de Robb Stark, a batalha contra os Baelor e o confronto de Brienne com os homens Stark, passam-se nesse local.


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Belfast talvez não seja um destino que impressione à primeira vista. Mas é uma cidade que permanece na memória muito depois da viagem terminar.

Porque, no fim, ela nos lembra que os muros mais difíceis de derrubar não são feitos de concreto, mas das diferenças que separam as pessoas. E poucas cidades contam essa história de forma tão intensa, emocionante e verdadeira quanto Belfast.



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